Arnaldo começou a pintar em 1949, como autodidata, mas se identificou melhor com o desenho. De início usou uma caneta de ponta de feltro de tom arroxeado, acrescentando às vezes as cores do guache. Seus primeiros desenhos com nanquim a bico-de-pena mostravam folhagens feitas na Praia Grande, inspiradas nas plantas em volta da ampla casa que seu irmão Oscar comprou por volta de 1950. Com cinco desses trabalhos recebeu o prêmio de melhor desenhista nacional na 2ª Bienal de São Paulo, em 1954, quando foi também o primeiro brasileiro premiado na Bienal de Veneza. Ainda nesse ano, no Museu de Zoologia dirigido pelo amigo Paulo Vanzolini, desenhou uma série de esqueletos de animais, depois reunidos em um álbum. Lourival Gomes Machado notou, na apresentação, que “esses trabalhos [...] são dedicados à simplicidade apaixonante da linha”.

Em 1955 ele trocou a caneta e o nanquim pelo bisturi e o canivete, em busca de superfícies rígidas. Surgem as incisões de precisão cirúrgica, sobre materiais sobrepostos e vazados: cartolina, cortiça, couro e papéis de várias cores. Em seguida enfrentou materiais ainda mais resistentes, armado de formão e goiva para cavar a madeira de topo. Suas xilogravuras receberam, em 1958, no 7º SPAM, o Prêmio Governador do Estado.

Sua paixão declarada por pássaros resultou em diversos trabalhos a nanquim, grande parte deles inventada. Com três desses pássaros ganhou o Prêmio de Viagem ao Estrangeiro no 9º SNAM. Além de desenhar, ele fez murais, mesas, ilustrações, capas de livros, logomarcas e estampa de tecido. Em suas inúmeras viagens pelo mundo era acompanhado por cadernos de anotação em que registrou o que via e imaginava.

Sérgio Milliet notou os pontos em comum entre o desenhista e o escritor: “se achava mais à vontade no desenho, o que talvez se explique por ser Arnaldo um intelectual, um escritor. Escritor sutil, amoroso da limpeza da forma, sem prejuízo, entretanto, do inesperado das soluções sintáxicas e vocabulares originais. [...] Parece-me que há certa relação entre o grau de cultura e a predileção pela linha”. Grande parte de sua produção artística foi mostrada na retrospectiva Arnaldo Pedroso d’Horta: desenho da mão, que a Pinacoteca do Estado exibiu de dezembro de 2009 a março de 2010.


VdH, 2015

Referências bibliográficas


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